MPF denuncia governador do MS e os irmãos Wesley e Joesley Batista

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia contra o governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), e os empresários Joesley e Wesley Batista, da JBS, nesta quarta-feira (14/10). As informações foram divulgadas pelo Correio Braziliense.

Além deles, também foram denunciados o ex-secretário de Fazenda do estado e atual conselheiro do Tribunal de Contas Márcio Campos Monteiro, e outras 20 pessoas. Todos são acusados de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

De acordo com as investigações, entre 2014 e 2016, um esquema de corrupção garantiu o pagamento de R$ 67 milhões em propina para o governador Azambuja e outros acusados. Em troca, eles garantiram isenções fiscais no valor de R$ 209 milhões ao grupo JBS.

De acordo com o MPF, a peça, enviada à Justiça pela subprocuradora Lindora Araújo, mostra que a  “denúncia reúne provas obtidas na Operação Vostok, bem como provas compartilhadas a partir da Operação Lama Asfáltica, acordos de colaboração premiada e da quebra dos sigilos telefônico e bancário dos envolvidos”.

As tratativas teriam começado na campanha eleitoral, e Azebuja se comprometeu, de acordo com as investigações, a manter o esquema criminoso caso fosse eleito. O esquema teria se perpetuado na gestão de outros governadores de Mato Grosso do Sul.

Quebra de sigilo telefônico

Durante as diligências, houve a quebra de sigilo telefônico e depoimentos válidos em acordos de delação premiada que deram detalhes do caso. O MPF afirma que “o pagamento das vantagens indevidas era dissimulado por meio de doações eleitorais oficiais, que em seguida eram descontadas de uma “conta propina”, mantida pela JBS; por meio de notas fiscais frias emitidas por empresas e pecuaristas indicados pelo próprio Azambuja, sem a devida contrapartida em produtos ou serviços e com os valores revertidos direta ou indiretamente em benefício do governador; e por meio da entrega de dinheiro em espécie a emissários de Azambuja”. O principal operador do esquema seria o próprio filho do governador, Rodrigo Souza e Silva, também denunciado.

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