Drama dos brasileiros: morrer de fome ou de Covid?

* Ana Lúcia Américo escreve a coluna ‘Dialogando sobre direitos humanos’, exclusivamente para o Folha Morena

Caríssimo (a) leitor(a),

Caríssimo (a) leitor (a), após meses de pandemia, a ficha começa a cair. O que há um ano   parecia ser uma tempestade passageira, está demorando muito a passar e deixando muitos estragos, e para alguns aprendizados, estamos percebendo que conviver com o Covid não é tão simples e passageiro, como a priori havíamos pensado, requer mais do que medidas paliativas, e sim um redirecionamento geral na vida da pessoa humana, que interfere nos pequenos hábitos do ser humano, segurança alimentar, comportamento, economia, políticas públicas, empatia entre outros.

Com índice ainda elevado de contaminação (picos), leitos insuficientes, ausência de políticas públicas eficazes, desconhecimento sobre como o Covid pode agir no organismo humano, associados ainda a pobreza  da ética, da moral e da desvalorização da vida humana por parte de alguns seres humanos, que tem visto  na situação caótica a oportunidade de obter lucro de forma ilícita, tem desencadeado  várias reflexões, tais como:  diante de tantas perdas e mesma da incerteza em se contrair o Covid, tantas pessoas ainda se aproveitam para obter lucro? Como fazer para que as pessoas sofram menos com a falta de alimento ocorridos em virtude da falta de empregos decorrentes do isolamento demandados para assegurar a saúde? Vivemos um dilema, por um lado: precisamos trabalhar podemos contrair o Covid, mediante a exposição a determinados espaços.

O Transporte público não foi adaptado para não ter aglomeração o que contraria as medidas de biossegurança. E sob outra vertente, recomenda-se o distanciamento social e o fechamento de algumas atividades o que pode levar ao desemprego, a falta de recursos para a subsistência.

Cada dia algo novo, tanto em relação as situações decorrentes da Covid, como também a melhor forma de prevenção. Enquanto estamos apreendendo ou tentando aprender, a vida precisa seguir seu fluxo e muitas pessoas não dispõe deste tempo, já que dependem do ganha pão de hoje para o seu sustento imediato. Assim, a miserabilidade humana aumenta e a pergunta que não quer calar. Morreremos de fome ou de Covid?

É uma luta contra o tempo, que infelizmente não há como paralisar, até que aprendamos a lidar com esta nova realidade. Como se diz o velho ditado “agir com a carroça em movimento”.

Respeitando a opinião, conduta e situação de cada um, penso eu que a história e a ciência demonstram a necessidade de refletirmos sobre as nossas reais necessidades, tendo em vista que estamos lidando com um vírus de alta complexidade e desconhecido, e que precisamos lutar pela vida humana, olhando o contexto do hoje, pois o momento denota que tudo muda muito rapidamente, a condição humana, as questões estruturais e financeira também, e que a vida é um sopro. Hoje estamos amanhã não mais.

Portanto, caríssimos (as), convido a uma reflexão sobre a valorização da pessoa humana, pois a convivência com este vírus reafirma que o hoje, o agora, o ser humano é que faz a diferença em todo contexto, e que o equilíbrio, a empatia, as ações fraternas e humanas é que realmente farão a diferença para a continuidade da humanidade. Unicidade em nossas ações e palavras.

Para finalizar convido você a deixar a sua contribuição, sugestão ou opinião.

A pandemia do COVID-19 está desnudando as almas humanas e mostrando a todos o quanto ainda estamos atrasados em nossa evolução moral, desmascarando atitudes abusivas de autoritarismo e opressão de pessoas comuns ou autoridades que se faziam até então de bons e politicamente corretos principalmente na política. (Celso Rodrigo Branicio)

*Possui graduação em Serviço Social pela Universidade Católica Dom Bosco (1999) e mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional pela Universidade Anhanguera Uniderp (2012). Atualmente atuando como Superintendente da Politica de Direitos Humanos da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho-SEDHAST. Exercendo o mandato de 2015/2016 como Presidente do Conselho Estadual da Pessoa HUmana e Coordenadora do Comitê Estadual de Erradicação de Documentação Básica e Subregistro (2015-2017).

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