Mais de 100 policiais foram mortos no Rio de Janeiro, só em 2017: cadê os Direitos Humanos? – saiba na coluna de Ana Lúcia Américo

* Ana Lúcia Américo escreve a coluna ‘Dialogando sobre direitos humanos’, toda semana no Folha Morena

Foto: ONG Rio de Paz. Ato em memória de policiais mortos.

No Estado do Rio de Janeiro, até o dia 26 de agosto de 2017, 100 policiais foram mortos, ou seja, um policial foi morto a cada 57 horas, ou pouco mais de dois dias.

Segundo dados do jornal o Globo, a média é a maior desde 2006, quando um policial foi assassinado a cada 53 horas.

Em média, um policial morreu a cada 64 horas no Rio desde 1995, somando 3.087 vítimas durante este período. Essa é uma estatística elaborada pela equipe da Polícia Militar do RJ. A taxa de mortalidade entre 1995 e 2016, segundo a PM, é maior do que a de soldados americanos mortos na Segunda Guerra Mundial.

Este massacre já vem acontecendo, porém, os meios de comunicação hoje divulgam com maior amplitude estes acontecimentos, o que leva a sociedade e ter conhecimento de uma realidade tão sorumbática.

Percebemos que vivemos em uma guerra. Ficamos perplexos quando os noticiários revelam cenas das guerras civis em outros países, sobretudo no Oriente médio que tem sido alvo de constantes lutas, porém, no Brasil existe uma guerra que é da miséria, da violência urbana, do tráfico, da ausência de valorização da vida humana.

Assim, muitos perguntam cadê os direitos humanos dos policiais?

Logo, com certeza estes direitos foram violados, e não podemos ficar inertes a situação que se apresenta, e achar que é normal trabalhadores que prestam relevantes serviços à população sejam mortos. Aliás, nenhum ser humano tem o direito de tirar a vida de outro ser humano.

Porém, os nossos intimoratos policiais, quando se predispõe a exercer a função de policial, com certeza sabem da sua importante missão e dos riscos que esta nobre profissão lhe impõe.

Assim, caríssimos (as), a nossa reflexão precisa ser focada na base da sociedade. Com ações direcionadas ao fortalecimento do vínculo familiar, resgate dos valores, ações preventivas na Escola. Em que pese a importância das ações de guarda e segurança, precisamos atingir um patamar em que estas medidas não sejam constantes e paliativas como tem ocorrido no Brasil, mas sim efetivas e em raras exceções. Um sonho, uma meta a ser pensada.

Infelizmente, ainda carecemos e muito de investimentos nos serviços públicos, quer seja no aparato aos policiais e familiares, como para os cidadãos que necessitam dos serviços públicos.

O que se faz mister assinalar, é que as estatísticas estarrecedoras de policiais mortos é mais um desencadeamento da ausência e inércia do poder público no cumprimento do seu compromisso para com o cidadão brasileiro, aquele dinheiro desviado aqui acolá, culmina por indiretamente contribuir para a mortandade de pessoas em diversas instâncias.

A falta de investimento em políticas públicas, desencadeiam na precariedade dos serviços de saúde, segurança, educação entre outros necessários para o equilíbrio, e inclusão social da população.

Grande abraço caríssimos (as) leitores (as), e até o nosso próximo bate papo.

“A humanidade não se divide em heróis e tiranos. As suas paixões, boas e más, foram-lhe dadas pela sociedade, não pela natureza.”

Charles Chaplin

*Possui graduação em Serviço Social pela Universidade Católica Dom Bosco (1999) e mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional pela Universidade Anhanguera Uniderp (2012). Atualmente atuando como Superintendente da Politica de Direitos Humanos da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho-SEDHAST. Exercendo o mandato de 2015/2016 como Presidente do Conselho Estadual da Pessoa HUmana e Coordenadora do Comitê Estadual de Erradicação de Documentação Básica e Subregistro (2015-2017).