Pandemia: poderemos extrair um excelente aprendizado do momento?

* Ana Lúcia Américo escreve a coluna ‘Dialogando sobre direitos humanos’, exclusivamente para o Folha Morena

Caríssimo(a) leitor(a),

Quando escrevi o primeiro artigo sobre a pandemia, sinceramente não achei que a situação fosse piorar tanto, e nem que o Brasil fosse se tornar um dos países com maiores números de infectados e de mortos do planeta em decorrência do Covid 19. Acredito que fui ingênua como a maioria dos brasileiros em acreditar que esta situação não iriam ceifar tantas vidas em tão pouco tempo.

Caríssimo(a) leitor(a), cá estamos nós ainda a discutir um tema que tem nos atormentado em suas diversas nuances, no caos  que esta pandemia vem causando na vida das pessoas, essencialmente com relação a vulnerabilidade a que estão expostas, quer seja no tocante a saúde, a situação financeira e a violação de direitos humanos. Se antes da pandemia o sistema de saúde do Brasil já não atendia a população de forma adequada, a nossa economia já enfrentava dificuldades, alguns dos nossos governantes já eram investigados por fraudes e desvios de recursos públicos, já vivenciávamos situações de violência contra criança, adolescente, pessoa idosa e  outros, quiçá agora em que os desassistidos pela políticas públicas e serviços públicos encontram-se ainda mais expostos e vulneráveis, e que pasmem a pandemia tem sido motivo de desvios de verbas e invisibilidade social das pessoas, por parte de pessoas que foram eleitas para zelar pelo patrimônio e vida da população.

Assim, pergunto o que esperar do futuro do nosso País? então podem responder, toda esta situação será resolvida com a vacina, eu digo em parte, pois as pessoas que visam lucro, cifras e não o bem estar das pessoas continuaram a ocupar cargos de poder, e mais uma vez  encontrão formas de desviar recursos, e a  vacina talvez não chegue a todos. Ou seja, mudam-se os problemas e podem mudar até as pessoas, porém a conduta, os conchavos, os interesses continuam, e é neste contexto que a vida humana mais uma vez não é valorizada.

A reflexão ainda é mais longa, quando o assunto é fechar ou não determinados serviços e comércios, pois de um lado há a questão do isolamento necessário, e do outro a sobrevivência de quem precisa abrir as portas de seu estabelecimento,  ou seja, ainda não chegamos a um consenso, pois não temos estudos, estamos agindo no hoje, no achismo, estamos diante de uma situação que não vislumbramos alternativas de resolutividade imediata e que atenda a todos. Precisamos entender que cada segmento tem a sua relevância e  necessidades, e que se faz mister consensualizar uma forma em que todos ao mesmo tempo possam ser contemplados, como também compartilhar a penalização do momento.

Como assim, compartilhar a penalização? Sim compartilhar as dificuldades afinal a dificuldade e a necessidade é de todos, partilhamos o bem como as suas mazelas também.

Não temos a receita, mas com certeza poderemos extrair um excelente aprendizado do momento pelo qual vivenciamos, o que poderá nos fortalecer enquanto pessoas humanas

O momento é de partilha, de união, sabedoria,  é  de vislumbrar a necessidade sua e do outro, caso contrário ambos poderão ser sucumbidos.

Para finalizar convido você a deixar a sua contribuição, sugestão ou opinião.

Mais do que em qualquer outra época, a humanidade está numa encruzilhada. Um caminho leva ao desespero absoluto. O outro, à total extinção. Vamos rezar para que tenhamos a sabedoria de saber escolher.

Woody Allen

*Possui graduação em Serviço Social pela Universidade Católica Dom Bosco (1999) e mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional pela Universidade Anhanguera Uniderp (2012). Atualmente atuando como Superintendente da Politica de Direitos Humanos da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho-SEDHAST. Exercendo o mandato de 2015/2016 como Presidente do Conselho Estadual da Pessoa HUmana e Coordenadora do Comitê Estadual de Erradicação de Documentação Básica e Subregistro (2015-2017).

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