Qual sociedade estamos construindo para o nosso Brasil?

* Ana Lúcia Américo escreve a coluna ‘Dialogando sobre direitos humanos’, toda semana no Folha Morena

Caríssimo (a) leitor (a),

A temática Direitos Humanos, por ser abrangente, não pode ser pensada isoladamente, já que ao discutirmos Direitos Humanos, precisamos inserir vários segmentos que tem seus direitos violados, como: a mulher vítima de violência, crianças e adolescentes vítimas e vitimizadores de violência, pessoas com deficiência, pessoa idosa, pessoas vítimas de preconceito étnico racial, homofobia entre outros.

Refletindo sobre o que melhor trazer para nossa discussão, comecei a conjecturar que ao mesmo tempo em que segmentamos as discussões, também percebi o quão complexo é fazer isto, pois, quando falamos em direitos humanos, seja em qual contexto é preciso considerar todos os aspectos que contribuem para que a vida do ser humano possa realmente ser digna.

Uma vez que, o ser humano é sujeito de direito, historicamente construído, diferente dos animais o ser humano não nasce pronto, a cada dia ele se constrói e reconstrói na sua essência, desenvolvendo a capacidade de agir de pensar, e logicamente sofrendo transformações constantes que com certeza irão influenciar a si próprio e o meio no qual se encontra inserido, pois bem é sobre este mote que pretendemos contextualizar, sobre a importância da educação e da formação em Direitos Humanos.

Partindo do pressuposto de que os seres humanos são diferentes uns dos outros, e que a humanidade é composta por diferentes etnias, costumes, religiões, pensamentos morais, culturas, etc., não há um padronização que modela o jeito de ser como” ideal” do ser humano a ser seguido por todos, então nos lembramos do velho e antigo ditado popular que  a ” criança quando nasce não chega aos pais com o manual de instruções ou uma bula”, mas sim que traz em sua essência um pouco de cada um dos seus genitores, antepassados e que tudo então será edificado paulatinamente.

Ante toda esta compreensão sobre o ser humano, já nos é possível entender por que falar sobre direitos humanos é tão complexo e ao mesmo tempo simples.

Podemos comparar a vida do ser humano a um livro, em a cada dia se elabora uma página, mas a exemplo do livro precisamos de alguns elementos para escreve-lo, e estes elementos nem sempre se encontram disponíveis nos momentos necessários, fazendo-se mister muitas vezes retornar a páginas anteriores para revê-las ou completa-las.

O intuito de hoje é provocar uma reflexão que nos leve a considerar que durante o período da infância, da adolescência e quem sabe até na idade adulta pode-se contribuir para que as pessoas que tem seus direitos violados, e as que também violam direitos, possam ser despertadas para uma nova forma de agir, de enxergar o mundo e se tornar um agente propulsor de transformação social em seu meio.

Sob este viés, pondero sobre a importância de desenvolver um trabalho nas escolas, universidades, empresas, instituições, voltados realmente ao resgate de valores, ética, atualmente tão entorpecidos em nosso país. Falamos tanto de corrupção, desvio de verbas públicas, porém sempre em nuance de lamentação ou inconformismo. Me pergunto e quais são as nossas atitudes para cessar ou reverter este processo?

Urge que além de reclamar é preciso agir, repensar como as gerações vindouras estão sendo formadas, enfim qual a sociedade que queremos para o nosso futuro? Cabeças pensante e sem nenhum tipo de formação moral e ética humana?

Como podemos iniciar este processo de transformação? Participando mais ativamente das decisões políticas do nosso município, Estado País.

Senhores pais e responsáveis, vamos participar mais das associações de pais e mestres da escola de seus filhos, incentivar que nossos filhos também participarem de ações voltadas a cidadania, só assim poderemos construir uma educação pública de qualidade.

Mesmo diante de tantos afazeres, vamos acompanhar nossos filhos em seus deveres escolares e demais atividades, vamos rever a transmissão dos nossos valores e exemplos aos nossos filhos, quer seja no trato com nossos superiores, como também com as pessoas que ocupam funções simples, mais que merecem o nosso respeito também, pois não adianta querer um mundo melhor e não se tornar uma pessoa melhor. Não adiantar querer ser bem tratado e não tratar bem quem não lhe trará benefícios.

É preciso que respeitemos, e ensinemos as girações vindouras a também respeitarem os seres humanos independentemente de sua raça, etnia ou orientação sexual.

Caríssimos (as) leitores (as) precisamos acordar para o nosso futuro, queremos pessoas competentes sim, pensantes sim, mas que a sua inteligência e sua capacidade profissional esteja conectada ao cabedal moral, ético e principalmente humano.

Um abraço e até o nosso próximo encontro!

“Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar”.

Carlos Drummond de Andrade

*Possui graduação em Serviço Social pela Universidade Católica Dom Bosco (1999) e mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional pela Universidade Anhanguera Uniderp (2012). Atualmente atuando como Superintendente da Politica de Direitos Humanos da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho-SEDHAST. Exercendo o mandato de 2015/2016 como Presidente do Conselho Estadual da Pessoa HUmana e Coordenadora do Comitê Estadual de Erradicação de Documentação Básica e Subregistro (2015-2017).