Setembro Amarelo: precisamos falar sobre suicídio

* Ana Lúcia Américo escreve a coluna ‘Dialogando sobre direitos humanos’, exclusivamente para o Folha Morena

Caríssimo (a) leitor (a),

O mote da nossa discussão hoje é o suicídio, prática esta que vem aumentando entre a população mais jovem do País.

Doloroso de ouvir, porém mais complexo ainda é falar sobre suicídio, em um mundo com relações cada vez mais baseadas em aparências e com muitas pessoas que fazem uso das mídias sociais para expor e defender apenas seu próprio ponto de vista, o que resta, na maioria das vezes, é simplesmente abster-se.

Guardar e mascarar a dor tem sido a realidade de muitas pessoas, frente a um mundo cada vez mais irreal, em que as postagens e propagandas retratam e registram a família perfeita, a vida perfeita; enfim, muito diferente do que realmente a maioria da população experimenta. Parece que há uma obrigação em ser feliz o tempo todo, porém as fórmulas de como lidar com as frustações vêm se tornando difíceis de serem internalizadas e vivenciadas pelo ser humano.

Há uma dificuldade em aprender a conviver diante da perda, da tristeza e da decepção.

É preciso identificar para as causas que geram a prática do suicídio, a ansiedade, a depressão, a insatisfação com determinadas situações, o sentimento de perda e de impotência diante das dificuldades.

Assim, o tema requer diversos olhares, sob diversas vertentes; observar e trabalhar a prevenção talvez seja a forma mais eficaz de evitar que o suicídio ocorra. Porém, além disso, se faz mister discutir, conhecer e, sobretudo, minimamente aprendermos quais mecanismos podem ser utilizados para evitar e contribuir para que doenças como ansiedade, depressão e outras, culminem em suicídio.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 800 mil pessoas cometem suicídio todos os anos. E para cada caso fatal há pelo menos outras 20 tentativas fracassadas.

“Para a faixa etária de 15 a 29 anos, apenas acidentes de trânsito matam mais. E ao analisar as diferenças de gênero, o suicídio é a causa primária de mortes para mulheres neste grupo”, diz Alexandra Fleischmann, especialista da OMS.

O índice de suicídios de mulheres na faixa etária descrita é de 2,6 por 100 mil pessoas, mas a taxa sobe para de 10,7 entre a população masculina. Entre 2010 e 2012, o mais recente período de análise de dados da OMS, o índice feminino elevou-se a quase 18%.

Para estudiosos, suicídio é mais do que uma mera fatalidade.  Pesquisas demonstram que 90% dos adolescentes que tiram a própria vida, possuem algum tipo de problema mental, como: depressão, ansiedade, violência ou dependência em algum tipo de droga.

O bullying também tem aparecido nas pesquisas como um dos agentes propulsores, incluindo suas manifestações pela internet e sensacionalismo na mídia, o que pode encorajar imitações.

Não se pode excluir os chamados “gatilhos,” que podem ser tênues, como mudanças no ambiente familiar ou escolar, crises de identidade sexual, perda de um ente querido, entre outros. Por isso, mais uma vez reforço que observar os sinais iniciais é de suma importância.

É normal, por exemplo, as pessoas fazerem comparações entre sentimentos e situações vivenciadas, como: ‘eu também já passei por isso, você tem que ser forte, etc e tal’”, mas não podemos esquecer que cada ser humano sente  a dor em formas e intensidades diferentes, sendo que, as vezes dói muito em mim, não dói em você, ou vice versa. Julgar o outro como fraco por não suportar a dor, e deveras desumano, é como se sentir imune as mazelas humanas.

Para concluir, caríssimo (a) leitor (a), deixo a seguinte reflexão – o suicídio é realmente uma fatalidade? As pessoas que tentam o suicídio são pessoas fracas? O que você tem a opinar sobre esta temática?

Abraços fraternos!

“Os suicidas, mesmo os que planejam a morte, não querem se matar, mas matar a sua dor.”
Augusto Cury

*Possui graduação em Serviço Social pela Universidade Católica Dom Bosco (1999) e mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional pela Universidade Anhanguera Uniderp (2012). Atualmente atuando como Superintendente da Politica de Direitos Humanos da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho-SEDHAST. Exercendo o mandato de 2015/2016 como Presidente do Conselho Estadual da Pessoa HUmana e Coordenadora do Comitê Estadual de Erradicação de Documentação Básica e Subregistro (2015-2018).