Vamos participar mais das decisões que envolvem nosso futuro?

* Ana Lúcia Américo escreve a coluna ‘Dialogando sobre direitos humanos’, exclusivamente para o Folha Morena

Caríssimo (a) leitor (a),

A nossa discussão de hoje versa sobre uma temática que tem ocupado as mídias sociais e também permeado a mente dos brasileiros, o “cenário político”. Sim, vamos fazer uma breve reflexão sobre política e direitos humanos no Brasil.

Vivemos um período considerado ainda imprevisível nas urnas, pois com o descrédito e degaste pelo qual o cenário político brasileiro perpassa, os eleitores não se sentem representados, demonstrando uma carência de opção de candidatos e uma descrença na gerência da máquina pública, mesmo as propostas denotando uma evolução e resolução de algumas situações caóticas no País. Mas aí vem a tão chamada “governabilidade”, onde políticos precisam e talvez não só precisem, mais preferem, fazer acordos para que suas propostas sejam aprovadas. Ou seja, um só governante não resolve uma situação, mais sim há todo um conjunto de fatores e interesses que envolvem diversas posturas que, inegavelmente poderiam melhorar as condições de grande parcela de cidadãos brasileiros.

Assim, não há como dissociar a violação de direitos humanos da política, e como já dito por um estudioso, o poder público ainda é o maior violador de direitos, pois é dever do Estado prover educação de qualidade, saúde, trabalho, segurança, entre outros, e o que vivenciamos não é isso, mas sim um esfacelamento das políticas públicas e dos direitos conquistados.

Entre 1994 e 2014, houve uma boa dose de previsibilidade em nosso sistema político e 2018 anunciava ser um ano revolucionário, mas a inércia deve ser maior do que o esperado por muita gente.  O desenvolvimento econômico poderá ter um impacto reduzido nas eleições, motivado pela revolta contra a classe política. Nesse cenário, a campanha não está focada na ideologia partidária, mas sim na disputa entre o novo o velho.

Assim, percebe-se que não há meio termo, nem uma reflexão mais profícua, mas sim uma raiva exacerbada causada por diversas decepções e promessas não cumpridas, bem como pelos vários envolvimentos expressivos de políticos em denúncias de corrupção.

O que presenciamos é uma chuva de achaques entre os candidatos, em que uma parcela do povo brasileiro coloca suas expectativas de mudanças em um candidato tido como ”salvador da pátria”, porém , o que se sabe é que este ou aquele herói não conseguirá realizar nada sozinho, pois não se governa uma nação com uma cabeça só e sim com diversas pessoas, com formações e pensamentos diferentes que, com certeza, se bem canalizados, podem convergir em uma boa gestão.

Vivemos uma “febre” de decepção e acusações, temos acompanhado pelas mídias e canais televisivos o desrespeito na defesa de alguns candidatos. O desrespeito ao qual me refiro é entre os próprios opinantes que, ao defenderem este ou outro candidato, acabam por individualizar as opiniões e ataques, esquecendo-se que, o que precisa ser trabalhado, acompanhado e cobrado, é a postura do governante durante a sua gestão.

Convido então você, caríssimo(a) leitor(a), mesmo que esteja decepcionado com a política ou alegue não gostar da mesma, que passe a ler um pouco mais, conhecer melhor nosso atual cenário político, uma vez que, geralmente é pela postura do não gostar, que delegamos a outros o direito que nos cabe, de conhecer as pessoas que irão conduzir nosso futuro. Porém, isso não precisa ser realizado de forma agressiva, mas sim com serenidade, conhecimento, sabedoria, e o que é mais importante, cientes do papel de que todo cidadão é um agente fiscalizador. Assim, te convido a participar mais da sua comunidade, conhecendo os órgãos fiscalizadores, mas também colaborando com propostas, e você pode começar na sua própria casa, no seu trabalho, no seu bairro.  Com certeza não é do dia para a noite que obteremos resultados positivos, mas se não começarmos hoje, com certeza o amanhã permanecerá igual.

Sejamos cidadãos mais participativos na busca por uma sociedade melhor, só então o número de pessoas com direitos humanos violados poderá ser reduzido.

Abraços fraternos!

‘O mundo tornou-se perigoso, porque os homens aprenderam a dominar a natureza antes de se dominarem a si mesmos”.

Albert Schweitzer

 

Possui graduação em Serviço Social pela Universidade Católica Dom Bosco (1999) e mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional pela Universidade Anhanguera Uniderp (2012). Atualmente atuando como Superintendente da Politica de Direitos Humanos da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho-SEDHAST. Exercendo o mandato de 2015/2016 como Presidente do Conselho Estadual da Pessoa HUmana e Coordenadora do Comitê Estadual de Erradicação de Documentação Básica e Subregistro (2015-2018).

Ad

Você também pode gostar...